domingo, 16 de março de 2014

Afinal, qual é o lado certo?

Tem dias que eu paro pra pensar e acabo me perdendo no meio de tanta coisa vivida ao longo dos meus poucos 22 anos, sem nunca chegar ao final do raciocínio. Acho que a minha vida ficou totalmente de ponta cabeça.

Fui de uma ponta a outra com um pé só, em um só passo. Eu vivi muita coisa boa, muitas experiências intensas e já levei um estilo de vida bem radical. E do nada, de Nathália universitária-cigana-nômade-não ligo pra nada passei a mais nova mãe-professora-vida de família. E como é que eu cheguei aqui? Acho que não sei explicar.

Demorei tanto a voltar a escrever - coisa que amo fazer desde pequena - porque até agora tava tudo em desordem e caos aqui dentro. Mas essa semana finalmente caiu a ficha, e percebi, com um tranco na caixola maior do que eu esperava, que serei mãe. E nunca fui inundada por um sentimento tão grande de responsabilidade e amor. Como é que é possível a gente amar tanto a barriga da gente? Um serzinho que a gente ainda nem conhece, nunca viu, não sabe o nome, mas já é mais esperado que papai noel e coelho da páscoa quando se tem 5 anos.

Tô descobrindo que a gente sente muita falta da vida que levava, sem se importar com o estado que vai acordar de manhã ou com as contas do próximo mês - o importante mesmo era ter dinheiro pra tomar uma gelada no fim do dia com os amigos. E os amigos também mudam, se mudam, vão embora, ou chegam novos. Faz muito bem pro coração ter aqueles que ficam, independente do que aconteça. E nisso aí, tô sortuda. Mas também tô descobrindo que ter uma vida nova, sem tanta indecisão e com um horizonte que vai além do que você vai fazer amanhã também é ótimo. Talvez, até bem mais reconfortante. Construir uma família sua, em todos os sentidos, é uma das caminhadas mais íngremes e prazerosas que eu tive até hoje.

Mas, sem devanear demais, decidi, enfim, escrever. E registrar toda essa loucura que tem sido os hormônios, as alegrias, dúvidas, medos e amores da minha gravidez, que nunca me pareceu tão real. As descobertas que estou fazendo, e a maternidade que está chegando. O bebê que tá crescendo aqui tá chutando demais, me lembrando sempre que não estou mais sozinha - e nunca mais estarei.

Tem vezes que a gente descobre que de ponta-cabeça é o nosso lado certo, enfim.